terça-feira, 30 de junho de 2015

Água, peles quentes e as horas infinitas da madrugada.
Paixão é barulho...cumplicidade é (este) silêncio. 
Mente vazia e corpo entregue simplesmente ao que o segundo a seguir, ditar...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Não sabes a partir de que momento nem como começa. Quando dás por ti, todos os poros já estão em alvoroço e a carne num frenesim. O teu corpo quer ser tomado por quem sabe o que faz febre na tua pele, e tu entregas-te no tudo ou nada habitual. Um momento de cada vez, e ali, além daquelas duas obsessões, não existe mais nada. É dele o sexo duro que queres que te preencha os vazios, um após o outro. Uma morte após a outra. Uma insanidade tão partilhada, quanto a mistura que te escorre a ti e a ele pelo corpo, e cuja química tem um sabor diferente de qualquer outra coisa que porventura exista.
Há momentos em que és mais tu. És tu em todas as tuas cores e sombras.
O teu corpo não mente.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O corpo. Aquele corpo. O que é carne, mas também é sonho, fantasia e um fim em si mesmo. O corpo que nos lê na pele, os textos que escrevemos, em dialecto complicado, que tantos passam à frente, porque é tão mais fácil simplesmente abanar a cabeça em monossílabo. O corpo (a corpo) da guerra, do suor que escorre, das unhas cravadas, do verbo foder exasperado ao ouvido. O corpo da paz. Das águas calmas, depois da tempestade. O abraço que dá sentido até às contas impossíveis de fazer de cabeça. O parceiro mais hábil e insaciável, com o quem o jogo sempre recomeça...
Todos o procuram. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015


Os cabelos claros por entre os dedos, os lábios rosados e o toque da pele fininha, salpicada por algumas sardas. O cheiro doce junto ao pescoço e a curva do ombro macio. O boca-a-boca de chocolate com pimenta, porque o querer tem a sua própria forma de falar, e não, nem sempre é suave como a cor de leite da tua carne.
Esquecemos a vida por um instante. Outras febres, outros mares de loucura. Criamos um tempo nosso, onde mais ninguém descodifica o mais ínfimo sinal, porque eles...não somos nós. 
As cores são muitas para quem tem o mundo a pulsar dentro do peito...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cravou-lhe os lábios vermelhos corpo fora, como quem marca o território que é seu. A pertença dos instintos mais básicos e incontroláveis daquelas duas peles continuava a ser certa, não interessava quantas mãos as usassem e abusassem.
Vestiu o diabo nas meias pretas rendadas que lhe adornavam as pernas até à coxa, e no cabelo negro e comprido, que lhe emoldurava a pele branca, nua.
Enredou-o a ele, na teia, atraindo-o, até cegá-lo a tudo o resto. Envolveu-lhe a carne no veludo quente da sua boca e fê-lo sentir com a mão o quanto estava pronta, oferecendo-lhe em seguida os seus vazios para que ele os preenchesse. Satisfez-se de forma egoísta e sem culpa, não contou quantas vezes, mas a plena saciedade só chegou, quando sentiu o prazer dele escorrer-lhe pelo peito em trilhos de inquestionável e ardente gozo. Lambeu-lhes o sabor da ponta dos dedos, e guardou-o para si, quase como um segredo.
Já recomposta, despiu para ele, peça por peça, a pele daquela estranha. Tomaram um duche e bateram a porta sem olhar para trás. Aquela outra mulher ficaria para sempre ali, algures na energia inquietante daquele quarto e no cheiro daqueles lençóis.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Prometi ficar quieta. Só ali, deitada, olhos a varrerem-lhe o corpo, queimar e enlouquecer por dentro. Não há duas vezes iguais. A mão, sempre assertiva ao ponto certo, já sei de cor, tão diferente de mim, que preciso sentir-me por inteiro para me saciar. Vou cumprindo a promessa. Olho só. Os dedos que não aguentaram muito por cima do tecido e já agarram na carne. Tenho física e química a que prestar atenção e, divido-me, não querendo perder nada. As palavras são breves, e tento não me deixar distrair pelos pensamentos que me surgem enquanto estou ali. Tudo se passa na minha frente, mas eu prometi não usar o meu corpo para comunicar...nem para satisfazer.
Os gestos ficam brutos, os músculos da barriga contraem e descontraem, o meu peito que enche uma das mãos de repente...não era suposto, mas não me afasto. Não agora. Ponho a minha por cima da dele e faço-o sentir(-me) mais. Chego mais perto. Sinto-lhe o cheiro da pele em brasa, o calor no pescoço, não seguro a boca a beijo-o. Retiro-me antes que me perca de vez. Concentro-me. Sinto o aproximar, o fim que ele vê como alívio e eu...como recomeço. Vejo os dedos. Vejo os olhos. E os dedos outra vez, que no  segundo a seguir se encharcam e me fazem sede. Quero sentir-lhe o prazer com as mãos, mas por agora, detenho-me só como espectadora...
Espero o peito acalmar e recebo o virar de jogo como um desafio.
Trocamos?

sábado, 13 de junho de 2015

Puxo de um cigarro. É o terceiro em menos de uma hora. Enquanto o primeiro fumo me sai pela boca, penso rapidamente no quanto só consigo viver assim. Sou compulsiva em tudo o que faço. Só sei tirar partido se viver assim, à bruta e sem comedimento. Só sei querer com desespero. Só sei amar com todas as doses de loucura inerentes. Preciso de sentir o limite bem próximo para ter na boca o sabor das coisas. Em certos momentos culpo-me por isso. Talvez por ser tão obsessiva e por de certa forma arrastar comigo quem de mim se aproxima. Por obrigá-los a compartilhar dos meus delírios. Por querer que se sintam tão no fio da navalha e tão insanos quanto eu. 
Estou como gosto. A escrever na rua, no meu sítio favorito, sentada com uma perna encolhida por baixo de mim, e de cigarro na boca. O cigarro mata. Mas viver, também mata. E viver numa cabeça como a minha às vezes parece matar mais do que a vida. Não peço a ninguém que me perceba. Eu vivo, mas não quero compreender-me. Prefiro assim. 
Sei que há coisas  que provavelmente não deveria fazer, mas não consigo. Não consigo parar.
Não consigo sossegar, fechar os olhos e ficar quieta,simplesmente. Em mim, tem que haver sempre algum movimento.
Bênção e maldição. Ideias desarrumadas que contrastam com sentimentos tão límpidos. Viver numa cabeça que é uma plena comunhão de contrários é um jogo em que parecem estar-nos sempre a baralhar as peças…

sexta-feira, 12 de junho de 2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

A língua que me lambe e os lábios que me sorvem. A cara enterrada entre as minhas pernas, lambuzando-se de mim e fazendo-me arquear as costas ao som da minha feita-forçada-muda loucura. A barba que me arranha e me encarnece a pele. O orgasmo destruidor e os meus espasmos na boca dele, que me bebe até à ultima gota. O levantar súbito, ainda meio zonza e a procura desenfreada pelo sexo dele que quero engolir. O cheiro, o sabor, as gotas de desejo. Desisto rapidamente de provocar porque preciso saciar a minha fixação e ele não aguenta mais. Tomo-o inteiro até à garganta. As mãos dele que agarram os meus cabelos e forçam um pouco mais. O revirar de olhos dele. O deixar cair da cabeça para trás. O subir para cima dele sem aviso prévio, e dançar-lhe freneticamente em cima até me vir nele. Uma vez. Duas vezes. À terceira, arrasto-o comigo e cravo-lhe fundo as unhas no peito, enquanto ele me tapa a boca para não gritar.
Desencaixo-nos e ficamos ali, no melhor dos silêncios que possam existir.
Ele adormece, mas o meu velocímetro não abranda. Na penumbra, com a cabeça virada de lado, olho para ele enquanto deixo escorregar os dedos pelo meu íntimo, encharcado de mim e dele. Levo-os à boca e chupo-os. Quero mais. Tento contrariar, mas de imediato surgem-me mil imagens na cabeça e a pulsão entre as pernas é violenta. Revejo-o a ele. Os últimos minutos, e outros mais antigos. Coisas que me ficam e que nunca esqueço. O meu cabelo agarrado com toda a força fazendo-me curvar a cabeça para trás. A mão bruta que dá palmadas no rabo empinado. O olhar desesperado na direcção do meu. A minha súplica para que me encha de prazer até me fazer sentir dor. O ser agarrada, beijada, lambida, mordida como um objecto de prazer. O peso súbito do corpo forte dele sobre o meu. As ancas frenéticas e as pernas enlaçadas. A pele molhada esfregada contra a minha. Marcas vermelhas e unhas cravadas. O fôlego exasperado dele no meu pescoço e o uivo descompassado no meu ouvido. O grito que ele me obriga a dar e a investida final. O leite quente dele que me encharca por dentro. Tenho-me nas mãos. Sei que assim não vou conseguir dormir. E já decidi que ele também não.