terça-feira, 27 de outubro de 2015


No peito, o ar ainda corre em frenesim. No meio das pernas, o sexo, satisfeito. Tento aquietar-me. Fecho os olhos e gozo a sensação de ter o teu peito a ferver, colado às minhas costas, em busca de um merecido descanso. Deixo-me ir. Ouço a minha respiração, e depressa percebo que não vou conseguir dormir. Perco-me. Relembro, revivo, continuo alerta…e desperta. Amaldiçoo este desassossego que parece nunca me largar. Quase posso sentir a minha pele eriçar-se a cada nova imagem que me surge na cabeça, e quando dou por mim, a tua mão pousada na minha perna e o fôlego em brasa contra o meu pescoço, parecem-me uma provocação insuportável. Devagar, esfrego o rabo contra ti, e aguardo a reacção. Continuo. Quando já começo a pensar em mudar a minha estratégia, os teus dedos descem por mim e agarram-me num movimento repentino. A surpresa faz-me suspirar mais alto do que devia, mas é impossível ignorar a violência com que a sinto pulsar contra a tua mão. Fode-me. Outra vez. Fode-me toda. Sem dó nem piedade. Até perderes as forças. Abro as pernas e ofereço-me. O rasgar é ardente e intempestivo, como dita a loucura. Entrego-me ao momento e não quero que nenhuma sensação me escape. Sinto, nos nossos corpos, ainda o cheiro do sexo que tínhamos quase acabado de fazer e a ira deste que fazemos agora. Procuro as tempestades mais violentas e deixo-me arrastar em todos os delírios que me impões. A febre só baixa quando o corpo pede clemência. Sossegamos. Sossego. Agora sim.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O meu corpo viaja e lembro-me...dela.
As sardas de menina...os demónios de mulher. A gargalhada traquina e o olhar intempestivo. Perco as horas debaixo do meu edredon branco, num fim de tarde fora de rotina, frio e com chuva à mistura.
Na ponta dos dedos, o calor da minha própria pele. Na cabeça, o fogo que (ainda) me desperta. Conduzo a mão pelos retalhos que tenho dentro de mim. Cheiros, sabores, momentos, impulsos, imagens que se tatuaram sem pedir licença... 
Sinto a carne aflita e no instante seguinte o corpo estremece-me, violento, contra os dedos. Enquanto espero o fôlego acalmar, puxo o edredon e aninho-me mais. Fecho os olhos e adormeço um pouco. De sorriso saciado, acredito, pela beleza brutalmente simples das coisas, às quais, provavelmente morrerei, sem conseguir atribuir nome.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pela primeira vez em tempos, por dentro do peito duro, encontro(-lhe) um coração sossegado. Passo uma vez e outra a mão, sei que desta vez, não para acalmar o desejo, mas para ter a certeza de que dentro dele reina a paz. Não sei nada sobre o amor, mas talvez além de mares revoltos, também nisso dos amores, caiba esta coisa de conseguir respirar mais devagar por saber que noutra carne o sangue, igualmente, pulsa mais sereno nas veias.
Procuro a boca, mas acabo por deixar que seja ela a invadir-me, sem lhe resistir. Quero que me conte sem pudores os segredos que tem guardados, e que ditos por palavras perderiam todo o seu significado. Arranca-se, lá de dentro, o vermelho vivo e quebram-se algemas, esquecem-se as normas e as regras, e puxo para mim, o seu lado mais instintivo, impensado e cru. É o "ele" dele no seu estado mais puro, e que, sem questionar, me faz saber o quão ´nu´ se mostra para mim, sem lugares comuns ou amo-te´s tremidos à beira do orgasmo.
A adrenalina cresce da desconstrução e da curva cega, tatua-se nas marcas rosadas marcadas em brasa na pele e o prazer nasce simplesmente disso. De nós, do que temos e da dose de inferno e de céu que conquistámos por direito.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

 "One of the most healing things you can do is recognize where in your life you are your own poison."

Steve Maraboli

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O vento leve de Outono sopra sobre as feridas e reacende, por momentos, algumas dores. Até parece que já te esqueceste de como os corações selvagens fazem sempre vítimas por onde quer que passem...
Quem é pior? Tu e esse ópio que te domina, ou o tempo que, impiedoso, te ensurdece com as badaladas loucas de um relógio que queres parar e simplesmente se ri na tua cara? Quem se queima em labaredas, nunca se habituará às cinzas. Ficará sempre no ar, este ou aquele segundo em que as saudades do que não se viveu cravam os seus dentes afiados, na carne.
Há um peito para encostar a cabeça, uns dedos que se enterram no cabelo e um coração para ouvir, lá, dentro da armadura. Mas há também uma voz, um sussurro que sopra imagens tão vivas e que trazem à memória sentimentos tão transparentes que ainda nos desenham no rosto um sorriso aberto. Dolorido, mas sempre um sorriso.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O suspiro por um breve instante. Antes de pagar com o corpo a adrenalina que agita o sangue por mexer com as loucuras do mundo, todos os dias. 
Apaga-se a insanidade cinzenta e acende-se o vermelho que arde e queima. Há coisas para as quais nunca perdemos o jeito. Há coisas para as quais nunca perdemos a vontade, não interessa o quanto já saibamos delas.
A ´guerra´ é para deixar marcas. Para satisfazer sem pensar. Para purgar na outra carne, demónios de quem nem se conhece bem o nome, mas que são tão reais. Como eu...e tu.
Na paixão há sempre algo de violento, e talvez por isso, sejamos sempre tão insaciáveis por ela. Águas calmas não inspiram ninguém...
Tratemos da fome.
Logo, teremos tempo para o amor.