quinta-feira, 5 de maio de 2016

Deito-me de costas e abro as pernas para ele. De joelhos sobre a cama, à minha frente, ele desce a mão pelo meu peito, barriga e pára…. Com o polegar traça breves linhas entre os meus lábios, e, nesse instante, sobe-me por dentro um urgente desespero para que entre em mim e me preencha até ao último centímetro. Volto a abrir os olhos e passeio o meu pé direito pelo peito dele. Ele agarra-me o tornozelo e beija-o, arrastando a boca até aos dedos. Se antes já estava pronta, agora não encontro bem palavras para descrever como estou. 

Sinto-me a mim própria e ele surpreende-me, debruçando-se sobre mim e forçando-me a abrir-me mais para ele, enquanto se apoia na parte de trás dos meus joelhos. Sinto-me manietada pelo corpo dele, e indecentemente exposta, sem hipótese de fazer quase o mínimo movimento que seja. Essa vulnerabilidade repentina não me incomoda, mas excita-me mais ainda, e ele…ele sabe isso muito bem. Quero senti-lo inteiro de uma vez, ainda que com o prazer possa sentir um rasgo de dor, mas o meu corpo acolhe-o devagar, enquanto ele se baixa progressivamente sobre mim, apoiando-se nas minhas pernas.

Olho para baixo e vejo os movimentos dele. Suspiro. Peço-lhe mais com o fraquejar do meu olhar. Quando se deixa cair um pouco sobre mim, agarro-lhe o lábio e puxo-o gentilmente mais para baixo, até desaparecer debaixo dele. Enrolo as minhas pernas em volta das ancas dele, e faço-lhe uma chave de coxa, bem apertada. Empurro o rabo dele contra mim e ele levanta-me as nádegas com as mãos por baixo do meu corpo para me chegar até ao fundo. Assim é fatal para mim. Lembro-o disso com as poucas palavras que o momento me permite. Peço-lhe que continue e nuns breves momentos de vazio quase total, deixo de saber se existe mais alguma coisa do que o som do corpo dele a bater no meu. Chego lá, devagar, degrau a degrau, mas contorço-me violentamente com direito a unhas cravadas pela carne dele adentro. Puxo-o mais contra mim. Digo-lhe coisas ao ouvido que jamais escreveria num texto, e o expirar quente dele contra mim ganha som. Não o censuro, até porque por mais que viva acho que nunca me vou fartar daquela perda total de consciência e compostura, dele, pré-orgasmo. 

Guardo para mim todas as gotas que saem dele. Ficamos ali, alguns minutos e gozar a sensação de corpo saciado.

Puxo o edredon para cima e dou-lhe um beijo suave, agora, isento de loucura.

Até amanhã…

terça-feira, 3 de maio de 2016

(...)
Sabes para que vive a minha escrita? Para saber que em algum momento, uma palavra, uma expressão, uma memória ou uma fantasia, te obrigaram a procurar a solidão e a aliviares a tua carne de uma te(n)são insuportável.

Para de uma forma ou de outra, mais ou menos velada, me fazeres sentir que jamais serás capaz de olhar para uma mulher com traços meus, sem que o fundo do teu corpo te pulse e tu nada possas fazer para calá-lo.

Para que sempre que ouças o meu nome, desenhes as minhas curvas na tua cabeça. O jeito como os meus cabelos pretos compridos me caem sobre a pele quando estou nua. O cheiro do perfume que eu uso. A forma como olho para ti e para o mundo. O meu tom de voz.

Para que me leias e releias. Uma e outra vez. E te inflames sempre no mesmo ponto. Para que uses os meus pensamentos ou confissões como uma masturbação mental à qual não te apetece resistir. Para que algo em ti comece a se tornar insaciável por mais. 

Para te sentir perto. Dentro de mim. A viver algures nas minhas entranhas. Para que, se fechares os olhos, quase possas ter, em ti, o gosto do meu corpo. Ou que te pareça real, a qualquer momento do teu dia, as minhas mãos tocando-te por inteiro, ou a minha língua dentro da tua boca, provocando-te e convidando-te para mim.

Para que, por vezes, me sintas como um vício. Uma obsessão. Algo que talvez não seja natural. Para que algures em pequenos segundos de um ou outro dia teu, te questiones pela tua sanidade. Para que te perguntes se é normal teres alguém a correr-te no sangue assim, dessa maneira.
(…)