sexta-feira, 21 de outubro de 2016


Perdi a conta às folhas virtuais amassadas. Sinto, começo, bloqueio, deixo para depois. Nunca me faltaram palavras, talvez porque nunca me tenham faltado “sentires”. Abracei esta louca interior e fiz dela minha puta, sempre pronta a satisfazer-me as gulas, os pecados, as coisas que muitos outros pedem perdão por pensar e que eu me dou ao luxo de procurar como heroína para as veias.

Perco o olhar em nada. (Re)leio mensagens antigas e as pulsões regressam. Não estou aqui, estou lá. Não me lembro de tudo, mas alguns momentos estão-me por baixo da pele. Já valeu a pena ter nascido com um lado tão negro como amigo só para ter sentido o sangue queimar-me o corpo e escravizar-me nos meus próprios impulsos, aquela vez. E aquela. E aquela.

Não me puno. Não penso. Entrego-me. Alimento o meu demónio mimado e egoísta. Sinto. Faço sentir. Vivo das emoções. A carne só me serve para dar voz ao que vai cá dentro. Amar tudo, ou não amar nada. Querer mas deixar livre, num equilíbrio delicado, tal como dor e prazer, quando a tua carne me tortura mas continuo a querer (ainda) mais de ti. 

A energia flui. Acendo um cigarro e inspiro-me. Prendo as meias no alto das pernas e penso em coisas. Unhas vermelhas. Olhos pretos. Quero-te a explodir de vida dentro de mim. A razão perdeu-se na emoção. Comigo não pensas, sentes. Comigo não calas, gritas. Comigo não és paciente nem disciplinado. São os ímpetos que te comandam e te deixam desesperado pela febre que te atormenta o corpo e a cabeça.

Deslizo a mão pela boca e olho pela janela. O som das teclas a escrever o que sinto, consegue sossegar-me um pouco o espírito desafiante. Saboreio uns breves segundos de paz. Também tenho direito.